A importância da música no desenvolvimento infantil

Snyders (1997, p. 104) afirma que:

A música não pinta o amor ou a aspiração de um dado individuo em dadas circunstâncias, ela pinta a própria paixão, o próprio amor, a própria aspiração. A música supera as particularidades que certamente distinguem, mas também estreitam. Transcendendo as variações acidentais, acessórias, ela nos faz viver uma generalidade, porém concreta, imediata; o que a generalidade do conceito ou da palavra não chega a realizar.

Através da música o ser humano consegue uma forma de expressar-se sentimentalmente, traz consigo a possibilidade de exteriorizar as alegrias, as tristezas e as emoções mais profundas, emergindo emoções e sentimentos que as palavras são muitas vezes incapazes de evocar. Além disso impulsiona a expressão corporal e faz com que o corpo vibre com a excitação que o abala.

Quanto à musicalização nas escolas, as opiniões foram diversificadas:

É um dos valiosos instrumentos que ajuda na aprendizagem, pois ela favorece ao aluno o ato de aprender.

É importantíssima, porém faz-se necessário ressaltar que deve ser direcionada, para não ser apenas uma aula de curtição.

A música é importante para trabalhar temas atuais, assim o aluno desperta o senso critico, analisando a letra da música. Relacionando-as com a realidade da sociedade.

É uma linguagem cujo o conhecimento se constrói  e não um produto pronto e acabado. Então a musicalização na escola é essencial.

Traz alegria, descontração, entusiasmo, tudo o que precisa-se para o trabalho escolar.

Através da musicalização os alunos ampliam suas relações com o espaço natural ou construído, até mesmo se expressando a partir de seu esquema corporal, não percebendo que assim, estará transferindo os elementos expressivos encontrados nos estímulos sonoros das composições musicais.

Percebe-se que a musicalização para todos os envolvidos na pesquisa possui um valor significativo, quanto o processo de ensino e aprendizagem do alunado. Através da educação musical é possível despertar o interesse do aluno pela música, fazendo com que conheça a pluralidade da linguagem musical. Além disso a escola deve criar situações para que o aluno possa vivenciar, analisar e compreender a produção artística musical.

Todos os professores envolvidos na pesquisa afirmam que gostam de trabalhar a música em sala de aula, buscando alcançar os objetivos propostos. Segundo as respostas, a música:

Aumenta o interesse pela aprendizagem;

Facilita a assimilação;

Descontrai;

Desenvolve ritmos;

Torna a aprendizagem significativa;

Melhora a interação e a confiança em si mesmo;

Estimula o desenvolvimento corporal;

Amplia as experiências sensoriais, afetivas e intelectuais.

A música é um poderoso veículo para criar situações onde os alunos tornam-se sensíveis, adaptados, produtivos e felizes, por isso precisa-se arregaçar as mangas e trabalhar, buscando novas formas de ensinar, propiciando ao aluno a afirmação de sua identidade, domínio, controle, desenvolvimento da parte afetiva, cognitiva, motor e social.

Através da música o educador tem uma forma privilegiada de alcançar seus objetivos, podendo explorar e desenvolver características no aluno. O individuo com a educação musical cresce emocionalmente, afetivamente e cognitivamente, desenvolve coordenação motora, acuidade visual e auditiva, bem como memória e atenção, e ainda criatividade e capacidade de comunicação.

O ensino da música deve ser considerado na educação escolar da mesma forma que outras áreas do conhecimento, como a Matemática, a Língua Portuguesa, a História, etc., a escola é uma instituição na qual pode desenvolver a musicalização, sendo instituído e adquirido.

A LDB vem dar essa garantia na medida em que torna o conhecimento artístico obrigatório no currículo do Ensino Fundamental. Isso requer um maior interesse por parte da escola e dos professores pelo ensino da música na escola.

Nas palavras de Saviani (2000):

A educação musical deverá ter um lugar próprio no currículo escolar. Além disso, porém, penso ser necessário considerar uma outra alternativa organizacional que envolve a escola como um todo e que, no texto preliminar que redigi para encaminhar para a discussão do projeto da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, traduzi através do enunciado do artigo 18 do anteprojeto, nos seguintes termos: os poderes públicos providenciarão para que as escolas progressivamente sejam convertidas em centros educacionais dotados de toda a infra-estrutura física, técnica e de serviços necessária ao desenvolvimento de todas as etapas da educação básica.(Revista Presença Pedagógica, 2004, p. 17)

Com isso percebe-se que a música não pode estar dissociada das práticas cotidianas dos alunos, uma vez que atividades musicais que envolvem o canto, a dança, o movimento e a improvisação já fazem parte do ambiente das crianças, no meio familiar ou fora dele.

O trabalho com a música deve ser desenvolvido nas escolas, dentro do planejamento, envolvendo os conteúdos de acordo com o nível de escolaridade do aluno. Com o intuito de fazer com que os alunos consigam captar com mais facilidade os objetivos a serem atingidos. Desta forma constata-se que a música é utilizada como meio incentivador na aprendizagem dos alunos, onde segundo as respostas:

Cantando, a gente brinca, brincando eles aprendem;

A música é riquíssima, quando se coloca a música certa para o conteúdo adequado, os dois geram uma aprendizagem para o aluno, pois é um meio gostoso;

Iniciar um projeto com música é importante, o cantar a música é um excelente treino à leitura;

Através da música as crianças, mesmo as mais tímidas, começam a expressar-se e participar da aula.

Pela música podemos tirar muitos talentos em sala de aula

Toda e qualquer música cantada na sala de aula deve buscar um espaço para evocar, pensar, criar meios próprios de expressão, para representar o movimento interior de compreensão de situações vivenciadas.

Ao criar um ambiente musical na escola, pode-se notar que o interesse das crianças aumenta e a participação flui de maneira mais livre e solta. Desta forma através da criatividade o professor pode tornar as aulas mais ricas e interessantes, através da música a sensibilidade e atenção dos alunos crescem, e desenvolve sua capacidade de concentração, raciocínio, memória, os benefícios da utilização da música na educação se estendem por todas as áreas de aprendizagem.

Os tipos de músicas mais utilizadas em sala de aula, de acordo com os questionários, são:

Cantigas de roda;

Músicas Popular Brasileira;

Músicas Religiosas;

Músicas diversificadas, escolhidas pelos alunos;

Poemas musicados de Vinicius de Moraes;

Músicas Gospel;

Músicas Clássicas;

Músicas Infantis.

Os estilos de músicas trabalhadas pelos professores são escolhidos de acordo com o interesse da maioria dos alunos, pois desta forma há maior participação e desenvolvimento no processo de ensino e aprendizagem. Entretanto faz-se necessário mostrar a importância de trabalhar vários estilos de músicas, mostrando as diferentes sensações que elas causam.

O professor deve manter-se atento aos interesses e às necessidades dos alunos, para que eles venham a ter prazer pelas atividades propostas. O educador pode, utilizando-se da música realizar um excelente trabalho e conseguir em suas aulas um ambiente tranqüilo e ao mesmo tempo ativo.

De acordo com Penna (apud Revista Presença Pedagógica, 2002, p. 41):

O mais importante é que o professor, consciente de seus objetivos e dos fundamentos de sua prática – onde a música deve ser encarada como uma produção e um meio educativo para a formação mais ampla do individuo – assuma os riscos – a dificuldade e a insegurança – de construir o seu caminho do dia-a-dia, em constante reavaliação.

As atividades pedagógicas propiciadas através da linguagem musical dizem respeito à relação entre o sujeito e o objeto do conhecimento. O modo de conceber o processo e o objeto dessa aprendizagem é que valoriza a ação pedagógica inserida na prática social concreta, tornando-a mediadora entre o individual e o social.

Professor e aluno devem buscar um consenso ao selecionar um repertório, ou mesmo um tema a ser abordado em sala de aula, o processo de ensino e aprendizagem envolve uma conscientização e disposição para esclarecer a real proposta da educação musical, estando em sintonia com as necessidades, as expectativas e a formação integral do aluno.

Percebe-se através das respostas que praticamente todos os alunos participam de aula musicada, até mesmo os mais tímidos, que aos poucos vão se soltando e demonstrando interesse pela música.

Para Tourinho, 1995 (Revista Presença Pedagógica, 2002, p. 45), trabalhar com a música de que o aluno gosta é uma forma de trazer motivação para o processo de ensino-aprendizagem.

Neste contexto nota-se que na prática educativa deve-se procurar, através dos conteúdos e métodos, respeitar os interesses dos alunos e da comunidade onde vivem e constroem suas experiências.

Os professores podem e devem trabalhar todo o tipo de música: “popular”, “clássica”, “massa”, “folclórica”, “consumo”, “vanguarda”, “religiosa”, entre outras, pois reforçam a pluralidade do universo musical.

Beineke (2001) afirma que:

A música ajuda a demarcar ‘territórios culturais’, identificando grupos e formas de vida. Trabalhando-se com adolescentes, por exemplo, pode-se observar a quantidade de rotulações que eles dão à música, como ‘música de criança’, ‘música de velho’, ‘música de amor’, ‘música de gay’, ‘música de igreja’, ‘música de dançar’, ‘música pra dormir’, entre tantas outras. Às vezes o professor não tem acesso às representações que a música tem para os alunos ou não questiona a forma como essas representações são construídas, o que pode envolver uma série de estereótipos que não são explicitados e discutidos criticamente.

Dessa forma entende-se que o professor deve procurar conhecer todos os tipos de músicas envolvidas no meio social dos alunos, bem como as representações utilizadas por eles, observando os objetivos da educação para a compreensão da cultura musical e buscando encontrar a idéia-chave que sirva para que os alunos estabeleçam correspondência com outros conhecimentos e com sua própria vida.

SANDRA VAZ DE LIMA: Nascida no município de Telêmaco Borba – Paraná. Graduada em Letras/ Inglês/Espanhol e Pedagogia. Especialista em Educação Especial e Psicopedagogia Clinica/ Institucional. Atua na área de Educação Especial na Rede Municipal e Estadual, e na Formação de Docentes.

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